Amanhã, dia 31 de março, é uma data de triste memória para a História do Brasil. Em 1964, há 48 anos, os militares davam um golpe de estado derrubando o governo constitucional de João Goulart, instalando no país uma ditadura militar que durou longos e tenebrosos 21 anos. Nesse período, o país viveu dias sombrios. As liberdades e direitos individuais foram suprimidos, a imprensa censurada, o Congresso Nacional fechado, milhares de brasileiros foram presos, perseguidos, torturados, exilados e centenas desses foram assassinados nos porões dos órgãos da repressão política ou estão até hoje desaparecidos. De acordo com o livro “Direito à memória e à verdade”, publicado, em 2007, pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 475 pessoas morreram ou desapareceram por motivos políticos nesse período, das quais cerca de 140 são consideradas desaparecidas.
A maioria dos brasileiros de hoje não viveram os anos de chumbo da ditadura e sabem muito pouco sobre tudo o que aconteceu nesse período.
Esta semana, militares da reserva, muitos deles diretamente ligados com a repressão política da época da ditadura e, portanto, responsáveis diretos ou indiretos por essas mortes, organizaram atos de comemoração do 31 de Março.
Isso é um escárnio com a história e a memória dos mortos e desaparecidos.
O 31 de março, ao contrário do que dizem os militares, não foi uma Revolução. Foi um golpe de Estado que instalou no país um ditadura militar.
E ditadura não se comemora.
Seria a mesma coisa que os alemães comemorarem o surgimento do nazismo.
Ditadura deve ser lembrada sempre para que nunca mais se repita.
Como diz o slogan da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos: Para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça.
Esse era o nome da primeira coluna que escrevi na minha vida profissional, com o pseudônimo de Thelonious (em homenagem ao pianista de jazz Thelonious Monk), na Tribuna de Santo Amaro, quando comecei no jornalismo, em 1975. Baralho a 4 é uma roda animada, onde se joga baralho e conversa fora. Vamos falar de música, de política, de futebol, da vida e do caralho a quatro. E sem essa de imparcialidade. Assim como os jornalões, Baralho a 4 tem opinião e posição!
sexta-feira, 30 de março de 2012
quinta-feira, 29 de março de 2012
Mangueira teu cenário é uma beleza?
Será mesmo que os versos do Hino da Mangueira continuam atuais?
A Mangueira, sempre amparada num poderoso esquema de marketing e mídia, vendeu a imagem de ser uma escola pura, uma vestal do samba, uma espécie de Demóstenes Torres do samba, onde os banqueiros do jogo do bicho não entravam e não mandavam. Uma escola sem patronos. Uma escola onde quem dava as cartas era a comunidade.
Será que é assim mesmo?
Sem querer criar polêmica, e já criando, quem vive de perto o chamado Mundo do Samba sabe que não é bem assim.
A Mangueira realmente não tem bicheiros. Mas tem sim uma forte influência dos traficantes do Morro da Mangueira na sua gestão.
Os que vivem de perto o Mundo do Samba sabem de inúmeros episódios onde o tráfico de drogas teria dado as cartas em importantes decisões da Estação Primeira de Mangueira.
Agora, mais um episódio torna pública essa relação promíscua e perigosa.
Na tarde de ontem, a quadra da Mangueira foi invadida por um grupo de traficantes armados na hora em que quatro advogados que compunham a comissão eleitoral analisavam a legalidade da inscrição das chapas inscritas na eleição presidencial da Verde e Rosa, prevista para acontecer no dia 28 de abril. Os traficantes expulsaram os advogados, roubaram todos os livros contendo as atas eleitorais da escola, exigiram a saída de Ivo Meirelles da presidência e o retorno de um carnavalesco campeão para a verde e rosa.
O episódio só confirma uma coisa que muita gente está careca de saber: o tráfico de drogas tem muita força e poder na gestão da Estação Primeira de Mangueira.
Caiu a máscara de vestal do samba.
Triste Mangueira!
A Mangueira, sempre amparada num poderoso esquema de marketing e mídia, vendeu a imagem de ser uma escola pura, uma vestal do samba, uma espécie de Demóstenes Torres do samba, onde os banqueiros do jogo do bicho não entravam e não mandavam. Uma escola sem patronos. Uma escola onde quem dava as cartas era a comunidade.
Será que é assim mesmo?
Sem querer criar polêmica, e já criando, quem vive de perto o chamado Mundo do Samba sabe que não é bem assim.
A Mangueira realmente não tem bicheiros. Mas tem sim uma forte influência dos traficantes do Morro da Mangueira na sua gestão.
Os que vivem de perto o Mundo do Samba sabem de inúmeros episódios onde o tráfico de drogas teria dado as cartas em importantes decisões da Estação Primeira de Mangueira.
Agora, mais um episódio torna pública essa relação promíscua e perigosa.
Na tarde de ontem, a quadra da Mangueira foi invadida por um grupo de traficantes armados na hora em que quatro advogados que compunham a comissão eleitoral analisavam a legalidade da inscrição das chapas inscritas na eleição presidencial da Verde e Rosa, prevista para acontecer no dia 28 de abril. Os traficantes expulsaram os advogados, roubaram todos os livros contendo as atas eleitorais da escola, exigiram a saída de Ivo Meirelles da presidência e o retorno de um carnavalesco campeão para a verde e rosa.
O episódio só confirma uma coisa que muita gente está careca de saber: o tráfico de drogas tem muita força e poder na gestão da Estação Primeira de Mangueira.
Caiu a máscara de vestal do samba.
Triste Mangueira!
Rir de quê?
Não é mole não. Em pouco tempo, perdemos dois gênios do humor, da inteligência, da ironia, da mordacidade fina, elegante, demolidora. Primeiro Chico Anísio, um humorista de verdade. Agora, Millôr Fernandes. Um refinado intelectual multimídia que fez do humor a sua arma.
Triste Brasil!
Agora vamos rir de quê?
Da mediocridade do Pânico na TV? Da grossura travestida de humor dos meninos do CQC? Das baboseiras do BBB?
Pobre e triste Brasil!
Triste Brasil!
Agora vamos rir de quê?
Da mediocridade do Pânico na TV? Da grossura travestida de humor dos meninos do CQC? Das baboseiras do BBB?
Pobre e triste Brasil!
Basta de intermediários
O jornalista Palmério Dória lançou hoje no facebook uma campanha que tem meu apoio amplo, integral e irrestrito: BASTA DE INTERMEDIÁRIOS, CACHOEIRA PARA A PRESIDÊNCIA DO DEM.
E eu vou mais além: Com Demóstenes Torres na tesouraria....
E eu vou mais além: Com Demóstenes Torres na tesouraria....
sexta-feira, 16 de março de 2012
Lamentável....
Rápido no gatilho, como costumam ser os pistoleiros do Sul do Pará, o juiz federal João Cesar Otoni de Matos, da Vara Federal de Marabá, negou hoje (16) pedido do Ministério Público Federal para processar Sebastião Curió Rodrigues de Moura, conhecido como major Curió, pelo desaparecimento de cinco militantes que participaram da Guerrilha do Araguaia na década de 1970. Segundo a decisão, a Lei de Anistia deve ser aplicada e, mesmo que não houvesse essa opção, o crime está prescrito.
Além disso, na Folha de hoje, o Advogado-Geral da União, Luis Inácio Adams, contrariando posição do governo que deveria defender, expressa formalmente pela Ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, criticou a ação do MP, dizendo que iniciativas para punir militares acusados de tortura, assassinatos e sequestros não são "adequadas".
Inadequadas são declarações como essas do Advogado-Geral da União que vão na contramão do governo que, insisto, deveria defender.
Espero que a presidenta Dilma dê um pito nesse senhor e o enquadre.
A decisão da Justiça de Marabá, cidade onde Curió sempre teve força e que serviu de base de apoio para as tropas que reprimiram a Guerrilha do Araguaia, igualmente é lamentável.
Vamos ver se os Procuradores do MP encontram outro caminho para fazer valer sua tese sobre o crime de sequestro e conseguem abrir a justa e necessária ação penal contra Curió.
Além disso, na Folha de hoje, o Advogado-Geral da União, Luis Inácio Adams, contrariando posição do governo que deveria defender, expressa formalmente pela Ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, criticou a ação do MP, dizendo que iniciativas para punir militares acusados de tortura, assassinatos e sequestros não são "adequadas".
Inadequadas são declarações como essas do Advogado-Geral da União que vão na contramão do governo que, insisto, deveria defender.
Espero que a presidenta Dilma dê um pito nesse senhor e o enquadre.
A decisão da Justiça de Marabá, cidade onde Curió sempre teve força e que serviu de base de apoio para as tropas que reprimiram a Guerrilha do Araguaia, igualmente é lamentável.
Vamos ver se os Procuradores do MP encontram outro caminho para fazer valer sua tese sobre o crime de sequestro e conseguem abrir a justa e necessária ação penal contra Curió.
Ação contra Curió é um xeque mate na ditadura
Esta semana, um grupo de procuradores da República entrou com uma ação penal contra o coronel da reserva do Exército, Sebastião Rodrigues de Moura, o famoso e temido major Curió (na foto à direita), por sequestro qualificado e mais tratos a cinco militantes que desapareceram na repressão à Guerrilha do Araguaia durante a ditadura civil-militar. A ação criminal é a primeira contra agentes do aparato repressivo do Estado na ditadura no Brasil.
A ação é histórica e pode criar uma importante jurisprudência, derrubando, na prática, a surrada tese dos militares que participaram da repressão política na ditadura de que a Lei da Anistia apagou todos os seus crimes. A tese que sustenta a ação contra Curió é de que os desaparecidos políticos foram vítimas de sequestro qualificado, crime não contemplado pela Anistia, e que não prescreve. O crime de sequestro só se encerra em duas hipóteses: com o aparecimento da vítima ou de seu corpo.
Essa ação penal abre um novo capítulo na luta pelo direito à memória e à verdade e coloca em xeque os militares que participaram da repressão política na ditadura e são responsáveis por inúmeros casos de tortura, assassinatos e desaparecimentos de militantes políticos.
Espera-se, agora, novas ações penais contra outros torturadores famosos, notórios e ainda vivos, como, por exemplo, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (na foto, à esquerda), que comandou nos anos 70 o temido DOI-CODI do II Exército, em São Paulo, onde dezenas de militantes foram torturados e mortos. Ustra é um dos principais líderes da direita militar e mora no Lago Norte, em Brasília.
Justiça neles!
A ação é histórica e pode criar uma importante jurisprudência, derrubando, na prática, a surrada tese dos militares que participaram da repressão política na ditadura de que a Lei da Anistia apagou todos os seus crimes. A tese que sustenta a ação contra Curió é de que os desaparecidos políticos foram vítimas de sequestro qualificado, crime não contemplado pela Anistia, e que não prescreve. O crime de sequestro só se encerra em duas hipóteses: com o aparecimento da vítima ou de seu corpo.
Essa ação penal abre um novo capítulo na luta pelo direito à memória e à verdade e coloca em xeque os militares que participaram da repressão política na ditadura e são responsáveis por inúmeros casos de tortura, assassinatos e desaparecimentos de militantes políticos.
Espera-se, agora, novas ações penais contra outros torturadores famosos, notórios e ainda vivos, como, por exemplo, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (na foto, à esquerda), que comandou nos anos 70 o temido DOI-CODI do II Exército, em São Paulo, onde dezenas de militantes foram torturados e mortos. Ustra é um dos principais líderes da direita militar e mora no Lago Norte, em Brasília.
Justiça neles!
quarta-feira, 7 de março de 2012
Um crime contra Cuba
Uma nota na coluna de Ancelmo Gois, no Globo de hoje, revela que a CVC, maior operadora de turismo do Brasil, aderiu ao bloqueio econômico a Cuba, depois que foi comprada pelo grupo norte-americano Carlyle, e não está mais vendendo pacotes turísticos para a Ilha.
Se isso for verdade, a atitude da CVC é criminosa e precisa ser punida. As autoridades brasileiras, tanto da área econômica, como da área diplomática, devem ser acionadas para impedir que esse comportamento conrtinue sendo adotado pela empresa. Afinal, o Brasil não só mantém relações diplomáticas normais com Cuba, como é contrário ao bloqueio norte-americano.
O governo deve entrar em ação para impedir que esse crime continue sendo praticado por uma empresa brasileira.
Se isso for verdade, a atitude da CVC é criminosa e precisa ser punida. As autoridades brasileiras, tanto da área econômica, como da área diplomática, devem ser acionadas para impedir que esse comportamento conrtinue sendo adotado pela empresa. Afinal, o Brasil não só mantém relações diplomáticas normais com Cuba, como é contrário ao bloqueio norte-americano.
O governo deve entrar em ação para impedir que esse crime continue sendo praticado por uma empresa brasileira.
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